22.4.13

Como lidar com pessoas alcoolizadas na Queima das Fitas prepara uma pessoa para a maternidade.

Estamos quase no início de Maio e isso é sinónimo de quê?
Para a maioria das pessoas, simplesmente de dias mais bonitos, o meu aniversário e o mês de Nossa Senhora de Fátima.
Para quem estuda/estudou em Coimbra: Queima das Fitas!

Cumpre informar que a Queima das Fitas é altamente educacional em termos de preparação para a maternidade. Simplesmente, uma grande diferença entre malta alcoolizada e bebés, é que os segundos são infinitamente mais queridos.
Portanto, se te saiste bem com os teus amigos e nunca os deixaste ficar mal, parabéns, vais ser uma mãe/pai porreira/o!

Factos:

Olhando para a verdade cruel: os bebés fazem muita porcaria. Literalmente.
No início, então, chegam às 3 e 4 secreções inqualificáveis diárias, com cor, cheiro e consistência dúbias.
Experimentem uma semana da Queima das Fitas a cometerem excessos e almoçarem na Pizza Hut do Continente para verem a magia a acontecer - informo que detive conhecimento por terceiros desta informação, não a experienciando, felizmente, em qualquer momento da minha vida académica. (Vês pai?!)

Uma outra característica dos bebés é que demoram a aprender a andar. Passam muito tempo a cambalear, precisam do nosso incentivo, estímulo e ajuda. Também os bêbedos.
Sabem lá o que é ir para o Cartola depois de almoço e tentar arrastar os amigos para o Queimódromo 6 horas depois? Valha-nos que é a descer.

Acham que são capazes de tudo. Os bebés não conhecem o conceito de limite, portanto, tentam sempre ultrapassá-lo.
A malta alcoolizada após uma noite de Queima, também tenta escalar os muros da ponte, mas acabam por perceber, após 20 tentativas falhadas, que é capaz de ser melhor subir a rampa.

Desde que tenham o biberão, está tudo porreiro.
Desde que haja cerveja - sim, até a Tagus - porreiro.
Compreender e aceitar este facto tornará todo o processo de lidar com a frustação e impaciência do bebé, muito mais fácil.

Não se conseguem expressar ao mesmo nível de compreensão que as outras pessoas.
Descodificar uma frase como "a chave de casa está no bolso de trás", tendo apenas por base, em slowmotion, "aaahhhhh gahvvvv estlá...ahhhhhh......boooool....trá....gahhh" é uma tarefa complicada, mas que futuramente dará imenso jeito.

Bebés entendem os outros bebés.
Malta com os copos é melhor amiga de outra malta com os copos, mesmo que nunca os tenham visto. Simples e belas simplicidades da vida.

O que é bonito é para se ver.
Já viram algum bebé com pudor de mostrar a junk in the trunk?
Pois....

Conseguem passar uma quantidade enorme de tempo a argumentar com um objecto inanimado.
Enquanto o bebé cria e descobre novas potencialidades argumentativas com os seus brinquedos e amigos imaginários, há quem discuta Proust com postes, simultaneamente mictando. Multitasking ao melhor nível.

Bolsar. (para não dizer outra coisa)
Se tiveres vivido a Queima sóbria o suficiente para amparares os teus amigos, bolsado vai parecer-te uma brincadeira de bebés, passo o pleonasmo.

Ligeiramente impossíveis de demover.
Conseguem convencer um miúdo a largar o urso preferido? Também não conseguem convencer, de ânimo leve, a malta a sair do Moelas - a menos que seja para ir para o recinto da Queima.

6 comentários:

  1. LOL, completamente preparada por aqui! Vou dar uma óptima mãe... Aturar gente alcoolizada e a chorar por todos os cantos foi mais necessário do que eu estava à espera.

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  2. Eu vou ser um pai horrível.
    Talvez por isso não me tenha ainda ativado o gene paternal :P

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  3. GENIAL! :D Estou ansiosa por passar mais uma queima assim. Desta feita, cartolada :)

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    1. Eu também vou, só não sei como enfrentar no mesmo dia a color run e as tasquinha do licor beirão...

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  4. Estou mais que preparada para ser uma boa mãe!! :D
    Este ano mais uma queima... mas espero não aturar muitos bebés!

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  5. Após leitura atenta deste texto, chego facilmente à conclusão que estas ocorrências em nada contribuíram para moldar os meus dotes paternais, por uma razão muito simples: eu era daqueles gajos de quem tinham que tomar conta.

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