30.3.12

Tratar bem VS Tratar mal.

Quero acreditar que numa relação nunca se trata efectivamente mal. Pelo menos numa que seja saudável.
Mas há sempre aqueles frissons do "tratar menos bem". Aquela conversa do "se eu não fosse tão bonzinho/boazinha, não me pisavam".
E a isto eu digo: quem trata bem não está errado. Quem demonstra, não está errado. Quem dá, não está errado. E se as coisas não resultam porque se deu demais, só prova que não estávamos com a pessoa certa.

29.3.12

A minha relação com os vendedores porta-a-porta.

Tocam à campaínha.
Tocam novamente.
Tocam triiiimm triimmm trrriiiiiiiiiimmmm.
Desistem.
Abro a porta.
Pego no flyer.
...

Meto no lixo.

Lamento malta, a última coisa que me apetece depois de um dia a trabalhar, cuidar do pequenote, jantar e arrumar as coisas, é levar com a clix, a zon, a meo, a cabovisão ou o que seja.
O mesmo é válido para o fim-de-semana.

O que eu sinto cada vez que me perguntam: então, tudo a postos para o grande dia?

Ocorrem-me pensamentos vários, para início de conversa. Nomeadamente uma lista de coisas que ainda faltam fazer e preparar.
Depois ocorre uma conversa paternalista comigo mesma que culmina em qualquer coisa como: tudo se faz, pá.
Claro que vejo o tempo a passar e as coisas a acumular-se, mas isso são detalhes.
Coffff.
Começo a achar que aquela coisa de acordar e dizer: bora casar? Bora. Ir ali ao registo civil, seguido de uma paragem numa churrascaria para trazer uns franguinhos de churrasco para o parque municipal e estava a andar, não é uma ideia tão má assim.

27.3.12

Expliquem-me. Como se eu fosse muito burra.

Homens deste Portugal, por que raio insistem em usar meias e cuecas furadas?
Porquê?
Porquê, porquê?

...

E não digam que é para arejar, ok?
Fico à espera.

Wake up call: esposas e maridos

A sério?! Ainda há gente que cai nessa?
Primeiro vem o Amor, depois vem o casamento...e depois: chocolates?
Não malta, meninos e meninas, nós apaixonamo-nos pelo pacote inteiro (salvo seja), portanto esperamos que as mudanças não sejam muito drásticas e que o tempo seja simpático convosco.
Se quiséssemos um tipo como o Chewbacca, tínhamos conseguido. Assim como qualquer Simara ia delirar.
Se não cuidarmos de nós, alguém cuidará do nosso respectivo.

26.3.12

Coisas de Coimbra que me fazem falta.

As carrinhas d'O Psicológico
Não me lixem, não há comidinha pós-saída à noite como a do Psicológico.
A primeira vez que pus os olhos naquelas tetinas moles de molhos (que mais pareciam preservativos gigantes), que escolhi os meus ingredientes (não sabendo já muito bem se tinha apontado para a cebola ou para o tomate dados os efeitos óbvios ao nível do meu ouvido interno que provocavam algum balançar), que me afiambrei daquele hamburguer quentinho, feito na hora (bem vão sete da manhã, ei!)...eiisshhh nunca mais me esqueci.

Se não sabem o que é, ou nunca foram, vão!

Espanta-me, mesmo.

Ver miúdas que metem na cabeça que são gordas a toda à força e fazem como esta, que vivia à base de coca-cola diet, pastilhas e café.Mil vezes mais cheínha e saudável, que panca é esta com a magreza excessiva?
Há tempos deparei-me com um blog - que nem vou colocar aqui de tão escandaloso que é - de uma miúda de 15 anos que relatava o seu dia-a-dia de dieta, o ódio a si mesma, as mentiras, o esconder dos pais e da família, os pedidos rídiculos de atenção, o provocar o vómito, entre outros detalhes, tudo num registo completamente surreal que me revolveu literalmente o estômago.
A frieza com que dizia que odiava a família por se preocuparem com ela, por quererem incutir-lhe hábitos alimentares saudáveis...era completamente doentio.
E como essa, há milhares.
Não culpo apenas as revistas, a sociedade que dá primazia a mulheres magríssimas, os pais ausentes, o bullying, a pressão dos pares, os problemas de auto-estima.
Culpo isso tudo. Porque não consigo compreender como é que se deita fora a vida assim.

25.3.12

Era isso mesmo.


Um cozinhava e o outro aspirava.
Um fazia a cama e o outro lavava a loiça.
Um limpava o pó e o outro limpava os vidros.
Um passava a ferro e o outro levava o lixo.

Éramos todos amigos e ninguém se chateava.

23.3.12

10 Vicissitudes do trabalho em open space.

1. Tens de levar com a música da malta.Vamos lá a ver uma coisa, ninguém acha muita piada à malta com os seus phones a dar uma de alienados sociais. Portanto, bem que gramas com o gosto musical dos que te rodeiam. E sofres com isso, 70% das vezes.

2. És frequentemente alvo de tentativas de conversa, também conhecidas por: não me está a apetecer trabalhar, deixa-me meter conversa a ver se o tempo passa mais depressa.
E isto é coisa para levar muito tempo, dependendo do estoicismo pessoal e se ainda és uma pessoa de filtros sociais suficientes para aguentares com leves acenares de cabeça e hum-hum's os dramas pessoais do resto da malta que vê em ti o objecto perfeito de desabafo.

3. Se tens o azar de ser uma pessoa minimamente simpática e educada, és bombardeada por telefonemas e até visitas de outros departamentos para se juntarem à volta do teu PC por motivo nenhum que não o invadir o teu espaço vital.
Se fores uma pessoa, como eu, cheia de sorte, calha-te na rifa aqueles com o melhor odor corporal possível ou a habitual halitose.

4. Há sempre alguém que desconhece o conceito de refeitório/restaurante/ ir dar uma voltinha para comer a sanduba.
A sério, eu tenho mesmo de assistir a pessoas a comer empadão às 10h da manhã?
A sério?!
...

5. Partilhar coisas como, pasmem-se, a impressora.
E de cada vez que há um problema acharem que deves fazer uma perninha no IT porque certamente só tu tens a capacidade de saber como se tiram cópias de B.I ou porque é que o papel ficou encravado na máquina. E após umas 4 ou 5 demonstrações, todos se acometem de um Alzheimer conveniente porque te fazem levantar sempre do lugar sob o pretexto "mas, mas,...não está a dar...não entendo...não...não entendo".

6. Tens de estar com aquele ar sempre-feliz ou então levas com as constantes "o que se passa querida?", "hoje alguém está mal-dispostinha", "é o TPM fofinha, é"?
Não sei dos vossos trabalhos, no meu é assim e a resposta que me apetece dar sempre é: estava tudo porreiro até apareceres...e não me chames fofinha ou levas nas trombas.

7. Toda a gente tem termoestatos interiores específicos.
Há sempre alguém com afrontamentos em pleno Inverno ou frígidas-vanessas no Verão e vai de pôr o AC a bombar, paga a empresa pá!!!

8. Toda a gente é muito sensível à luz.
Ou é porque não gostam do candeeiro x ou da luz do tecto y.
Trabalhem pá!

9. O teu caixote do lixo é muito mais apelativo.
Vá de meter para lá os papéis que antes embrulharam o vosso bolinho de arroz.
Enganaste-te a imprimir? Mete o lixo para o caixote do lixo da RC, nem reutilizes o verso da folha, nem nada.

10. Tens que participar em todas as conversas ou és a anti-social.
E pensarem que se calhar a conversa não é nada de jeito?
Juro que já desenvolvi um sistema de auto-defesa, em que se quiserem que preste atenção à conversa têm de dizer o meu nome no início da frase.

Última irritação musical

Os Maridos das Outras
(Miguel Araújo Jorge)
Toda a gente sabe que os homens são brutos
Que deixam camas por fazer
E coisas por dizer
São muito pouco astutos, muito pouco astutos
Toda a gente sabe que os homens são brutos

Toda a gente sabe que os homens são feios
Deixam conversas por acabar
E roupa por apanhar
E vêm com rodeios, vêm com rodeios
Toda gente sabe que os homens são feios
Mas os maridos das outras não
Porque os maridos das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação
Amáveis criaturas de outra espécie qualquer
Que servem para fazer felizes as amigas da mulher
Tudo o que homens não
Tudo o que homens não
Os maridos das outras são
Os maridos das outras são

Toda gente sabe que os homens são lixo
Gostam de músicas que ninguém gosta
E nunca deixam a mesa posta
Abaixo de bicho, abaixo de bicho
Toda a gente sabe que os homens são lixo

Toda a gente sabe que os homens são animais
Que cheiram muito a vinho
E nunca sabem o caminho
Na nananam na nanana
Toda a gente sabe que os homens são animais

Sou só eu?
Digam-me que não estou sozinha.

É esta e a do Boss Ac: oficialmente arruinou as Sextas-feiras com o seu "É sexta-feira, Yeah".

O prometido é devido.





(para não esquecer o produto nacional)

22.3.12

O cliente tem sempre razão.



O cliente é que manda!
Cueca vai fazer selecção de meninas giras e boas, comós helicópteros, tão a ver!?

É já a seguir pequenada.

PPP - Pequenos Prazeres Pessoais

Ver os homens casados e santinhos do pau oco a clicar naqueles artigos no facebook como "Elas mostram mais do que deviam" ou "Famosas a nu", não tendo qualquer noção que aparece uma notificação para a malta toda ver "X leu este artigo". Incluvisamente as esposas.

Acho delicioso.

Qual é o futuro das relações?

As pessoas são naturalmente egoístas e tendem a desistir mais facilmente dos relacionamentos?
Há muito mais formas de conhecer novas pessoas e por isso a tentação é maior?
Temos menos tempo e paciência para o outro?
Vivemos a achar que "se não for esta pessoa, arranja-se outra"?
Afinal, as relações de uma vida começam a ser um mito? Ainda há pessoas insubstituíveis?

São algumas questões que se colocam, quando olhamos para o panorama das coisas.
Pelo menos, eu, que tanto gosto de questionar tudo, coloco.
Não por me achar uma céptica, mas porque tenho sempre aquela ideia de que quanto mais souber olhar à minha volta, mais facilmente poderei evitar cometer alguns erros.
É que a avaliar racionalmente as coisas, as relações têm muito mais por onde falhar, do que por onde dar certo.
E porquê? Afinal, porque é que tantos relacionamentos falham?
Será por um comprometimento demasiado cedo?
Por não se ter vivido e experienciado o suficiente?
Talvez o acomodar ao parceiro que já se conhece?
A frustação de expectativas?
A solidão e falta de companheirismo?
A rotina e a falta de paixão e desejo?

No fundo, porque é que se repetem erros que todas as pessoas já sabem de cor e salteado?
No plano ideal todos podemos ser uns gurus relacionais, afinal, sabemos exactamente o que tem de ser feito para que as coisas resultem. Mas a prática, diria, é um whole other level.
Não defendo que as pessoas se mantenham juntas quando não são felizes ou quando os momentos de ressentimento superam os momentos de alegria.
Como também não defendo que as pessoas se afastem com a sensação que não deram tudo por tudo, que não fizeram um esforço extra por lutar e simplesmente optaram pelo caminho mais fácil.
Acho que a coisa mais triste que nos pode acontecer é perspectivar uma vida sem futuro, acomodada, sem brilho, sem entusiasmo, pautada pelas responsabilidades simplesmente.
Não sei o que mexe com a motivação de cada um, ou o que é que faz "click" para acordar para uma vida com mais amor. É complicado compreender coisas que mexem com um bicho tão complexo como nós.

Coisas que dão que pensar.

Ai sim?
E continuava a ir lá...porquê?

As pessoas podem muitas vezes ser vitimas. E sou a primeira a defender quem sofre abusos.
Mas também não percebo muito bem porque insistem no erro.
Eu sou a primeira a defender a minha liberdade e se alguém ultrapassa os limites, trato de colocar a pessoa no lugar: longe.
O dinheiro pode ser sempre uma desculpa, mas há coisas que não pagam a nossa paz de espírito.
Quanto ao médico, espero que acabe no lugar devido: na prisão. E que seja muito bem "tratado" pelos seus companheiros de cela.

21.3.12

Estados do Facebook que deveriam existir.

Ex-marido/Ex-mulher.Madrasta/Padrasto.
Ódio de estimação.
Colega desde a pré-primária que agora finjo que não conheço.
Curtimos uma vez...eu acho.
Conheci-te na noite e não me lembro.
Meio-irmão/Meia-irmã.
Corporate bitch/asshole do trabalho.

...acho que sim. Seria muito mais divertido.

19.3.12

Portuguesismos aos quais não resisto 1#.

Depois de feita a refeição no restaurante, pedir o saquinho de plástico para levar os restos para o cão.
Priceless.

17.3.12

Dificuldades pessoais.

Tentar, cada vez que uso isto:


(para os meninos que não sabem o que é: aquilo com que a vossa mão embrulhava as sandes para manter o pão a um nível mastigavelmente decente quando iam para a escolinha)

...não estragar metade do rolo porque:
a) não consegui cortar aquilo direito.
b) continuei a tentar cortar aquilo direito e continuei a não conseguir.
c) fiquei entretanto embrulhada naquilo acidentalmente.
d) disse impropérios e fui uma má menina para o rolo só porque aquilo é...vá...estúpido e não vem com um cortador decente que permita que eu não me torne num objecto fetichista daquela malta que se enrola toda em papel celofane e, portanto, mando aquilo para o lixo.

...eu não lido bem com a frustação, percebem?

...

16.3.12

Os homens: uns fofos, desde pequeninos.



Ou como quem diz:
Versão menino de 3 anos: gosto de ti...mas só quando me dás bolachas.
Versão menino de 10 anos: gosto de ti...porque tens mamas.
Versão adolescente, homem e velho pela vida fora: gosto de ti...porque tens mamas.

Ahhh peço desculpa, também, por vezes, mas já uma fracção masculina menor: "gosto de ti...porque tens um cu jeitoso."

15.3.12

Juro..

Se hoje apanho alguém a mostrar fotos de férias em locais paradisíacos, rodo a baiana e quebro a boneca.
É muito giro escolher destinos para a lua de mel, avaliar os hotéis, os prós e os contras de cada lugar, ver o que visitar, mas...só de pensar que ainda faltam 2 meses e pouco para poder ir...pfffff...que desânimo!

Quero férias, já se faz favor.

(acabámos por não escolher a Tailândia, com pena minha, mas certamente ficará para uma próxima vez...no entanto: México, aqui vamos nós! Escondam a tequila e os nachos, faxábore)

Até lá vou sonhando com isto:

13.3.12

O drama de cortar o cabelo.

É preciso uma mulher para compreender outra.
Cortar o cabelo é daqueles actos que nos causam mais dicotomias: por um lado queremos um look diferente, arranjado, giro, giro, giro, preferencialmente. Por outro temos sempre um misto de medo e um se-te-armas-em-esperta-rodo-já-aqui-a-baiana.
E por "esperta" convenhamos que seria atrever-se, ter a ousadia, de cortar mais que dois cm de cabelo.
Essa é outra, virem com a conversa do: é só dois dedos de comprimento.
Quando vamos a ver eram dois dedos na vertical e não na horizontal, que é como ficamos a querer deixá-las por se vingarem de toda a espécie feminina através do nosso cabelo.
Isto tudo para dizer que tenho de ir cortar o cabelo - está a precisar - mas não quero.
A diferença nos dias de hoje é que se não gostar do corte não posso começar a chorar como fazia quando a minha mãe me cortava o cabelo à rapazinho.

12.3.12

Fashion statement perturbador.

O belo do brinco com o pendente do dente de leite.
Aquilo para mim é como estar perante uma verruga ou um acidente de carro: não consigo desviar o olhar.
Aquilo é...um dente...já teve a viver alguns anos na boca de alguém.
Ainda agora vi uma mulher nos seus 45 ostentando alegremente o seu par de brincos...únicos.
Sou só eu que fico meia ticosó-nojentinha com isto?

10.3.12

Eu e a minha cama.

Cama: adoro quando estás aqui.
Eu: tenho de me levantar.
Cama: fica só mais um bocadinho...pleeeeaaasseeee...
Eu: não vai dar.
Cama: eu sei que queres tanto como eu.

Eu: um dia..marco um dia na agenda só para ti xuxu, palavra de Cueca.

(Xuinnfff...que saudadinhas da minha cama, de dormir, dormir, dooormir.)

9.3.12

O que o Rui Zink sempre soube acerca das mulheres.

"Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de vontade tornam-semesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até amais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça,mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos – elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco."

Rui Zink, in "Jornal Metro"

8.3.12

Dos intelectualóides.

Seres que se acham superiores. Inteligentíssimos. Cultos.Mas que no fundo pegam numa mão cheia de palavras caras, trocam-nas, mudam-lhes ligeiramente a semântica conforme mais lhe aprouver e, no fundo, bem espremido, o sumo das palavras é perto de nenhum.
Não tenho um ar mais inteligente por usar uns óculos de massa quadrados. Ou fazer posts dia sim dia não sobre o quão enamorada estou da obra de Tolstói.
Não me torno subitamente mais interessante por me dedicar à poesia. Não fumo cigarros pensadores.
Os intelectualóides são pessoas solitárias, soturnas. Erguem-se num pedestal tão alto, que ficam lá a pairar sozinhos. São pessoas a preto e branco.
Eu gosto de pertencer à massa humana, acessível, com cor, com defeitos, com falhas, com conversas tolas, com risos.
É infinitamente mais divertido.

Dia da mulher.

No dia da mulher deveria celebrar-se o período, as dores de parto, a depilação, a TPM, o chegar-a-todo-o-lado, o altruísmo, o ser mãe-mulher-amante-e-amiga, a dedicação, o cuidar, o estoicismo, a compreensão, entre muitas outras coisas que são vividas toda a vida.E, para mim, uma flor não comemora nada disso.
O dia da mulher é 365 dias ao ano e não há nenhum cartaz repleto de homens sem roupinha apresentando uma noite "para elas" que me faça mudar de ideias.

7.3.12

Mulheres que não cozinham.

Perdoem-me o meu machismo, sei bem o quanto as meninas gostam de advogar que eles têm tantos direitos como nós, que não lhes faz mal nenhum cozinhar, que reubeubéu emancipação nhonhonhó. Mas eu continuo a achar que só fica bem uma mulher saber cozinhar.
Ou, pelo menos, conseguir fazer algo que não faça a outra pessoa ter terrores nocturnos só de pensar nas refeições dos dias seguintes.
Claro que desculpas como "aiii, mas nunca fui dada a essas coisas/a minha mãe não me ensinou/ nunca tive de fazer algo mais do que ovo estrelado e massa cozida" e "não tenho jeito/cada vez que entro na cozinha estrago algo/sou uma nódoa culinária", são o pão nosso de cada dia.
Só que há coisas que só lá vão com persistência e experiência. Tentativa-Erro.
Ainda me lembro das primeiras vezes em que tentei fazer arroz. Ora dava para cimento, ora estava inssosso, ora agarrava ao fundo do tacho. Ou aquela vez em que achei de génio fazer uma omelete doce. Sim, era horrível e ainda hoje me lembro do sabor daquilo.
Isto para dizer que se hoje me ajeito a fazer qualquer coisa na cozinha (e estou longe de ser uma chef), é porque fui tentando.
Nada contra os meninos cozinharem (aliás, menino Dexter, ainda estou à espera da tua mítica (e por mítica deduz-se ainda não comprovada) galinha frita), mas há coisas que não são mutuamente exclusivas.
Eu confesso, gosto de mimar os meus meninos e cozinhar para eles, e sim, deve ser das minhas poucas facetas Estado Novianas.

6.3.12

Mentiras que digo a mim mesma.

Ahhh não preciso de apontar isso. Eu lembro-me.


...

Pois sim.

Dessa cena do Brunch.

Não me levem a mal, eu acho que deve ser delicioso perder-me no meio de croissants quentinhos, compotas, chás, torradas, scones ou tudo o mais que se come num brunch.
Mas essa cena não foi feita para mim.
É que das duas uma: ou tomo o pequeno-almoço e o brunch serve de almoço. Ou o brunch vira pequeno-almoço e almoço mais tarde.
É contra natura para mim.
Sim, sim, não sou fashion ao ponto de ir marcar a presença domingal ao Eric Kayser.

3.3.12

Das pessoas tristes como eu.

Pessoas tristes como eu, deliram de felicidade quando compram algo que custa x por metade do preço.
Juro que é uma alegria interior que se me invade.
E poucas pessoas entendem a dimensão (e beleza) disto.
Xuinff.

2.3.12

Hoje vai haver violência doméstica.

Se o Benfica perde: ele fica que não se pode aturar.
Se o Porto perde: há mau humor na certa e não há festa para ninguém.
Empate? Ninguém fica verdadeiramente contente.

Isto sim é uma fail-fail situation.


Maria, Ana e porque não Salette?

O que vende são as revistas cor-de-rosa. Toda a gente diz que não lê, mas perde 10 minutinhos ali no supermercado na parte da imprensa só para dar uma vistinha de olhos ao drama da Sara Norte que vivia com o namorado de 15 anos e foi presa com droga no bucho ou as últimas da novela da TVI, em que, para variar, alguém foi deixado no altar ou sobre o reality show do momento ou um outro qualquer drama existencial botoxiano.
Mas estas revistas não são só sobre as vedetas.
Gosto especialmente de ver aquelas senhoras nos seus 60 anos, muito compostas, com o seu conjunto saia-casaco em tweed a ler depressa os testemunhos sexuais, ou os contos eróticos. Acho muito bem, atenção, mas diverte-me ver o seu olhar de embaraço quando percebem que estão a ser observadas.
Se pensarem bem, o que diverte a malta são os pormenores escabrosos da vida dos outros.
Chega uma altura em que acredito que algumas pessoas julguem conhecer aquelas figurinhas, seguindo o seu percurso ano a ano, drama a drama, reconcialiação a reconcialiação, novo amor a novo amor.
A vida amorosa da Alexandra Lencastre entra-nos pela porta da cozinha adentro, ou o divórcio da Elsa Raposo ou o não sei quem que tem um qualquer passado dramático que envolvia pobreza, doença e droga na certa.
Faz parte e é um hino "o que e nacional é bom". Temos dramalhões para dar e vender, Benzádeus.

1.3.12

Toda a noiva esconde um pequeno godzilla dentro de si.

É nisto que acredito.
Aliás, eu tenho para mim que até tenho sido bastante fofinha e querida nesta fase.
Ora vejam:

Não tenho um calendário onde aponto quantos dias faltam para o enlace.
Não tenho uma lista prioritária de coisas a fazer, metodicamente tratada como uma simpática - mas inflexível - check-list.
Não ando atrás de ninguém no "compra isto, falta-te aquilo, tens de ter aqueloutro".
Ainda não gritei com ninguém.
Não acordo de noite com suores frios a pensar que ninguém vai querer ir ao casório, ou que o padre vai dar barraca, ou que vou tropeçar no vestido. Muito embora a última seja extremamente plausível e, até, provável.
Não revivo mentalmente a lista de convidados, ou se esqueci alguém.
Não coordeno vários conjuntos prováveis e possíveis de vestido+sapatos+acessórios+bouquet.
Não deliro ao pensar em centros de mesa.
Não pensei sequer ainda na música de entrada da igreja. Ou qualquer uma, a bem dizer.
Vejo os dias a passar e os convites sem estarem impressos ainda - e nem sequer arranquei um cabelinho que fosse.
Não tive crises de choro ou ataques de pânico.
Não exigi terminantemente nada.
Não me pus a fazer lembranças e afins com meses de antecedência
Não choraminguei perante coisas lindas, irresistíveis, perfeitas...e caras.

Acho que me estou a portar muito bem

...
principalmente tendo em conta que faltam dois meses e meio para a coisa.