10.6.10

O síndrome panela de pressão

Nahãaaammm you don't talk shit to me baby!

Sabem aquele tipo de discussãozinha mínima que têm (por vezes fruto do vosso orgulho)?
Pois.
Essa coisa do mar de rosas, do "nunca discutimos", "estamos de acordo em tudo" e nhenhenhe sempre foi muito gira. E dúbia igualmente.
É que eu não acredito que por mais que duas pessoas sejam feitas uma para a outra, nunca se chateiem com nada. Aliás, conoto isso com falta de personalidade, com falta de comunicação, com o não se saber quem é ou o que se quer.

Não é que retire algum prazer nestas pequenas discussões, porque não, muito menos as aprecio ou faço por as ter. E são isso mesmo: pequenas, sem importância. Não servem o propósito de ferir, de magoar, de ajustar algo, pelo contrário, servem para nos relembrar o quão importante é aquela pessoa para nós e o que significaria perdê-la.
Comecei a compreender o conceito de "fazer as pazes" e o alívio que se sente quando tudo está bem, quando sabemos que o nosso mundo está - e estará - intacto, porque nada interfere com o que sentimos.
Depois?
Depois até nos rimos, juntos, como é suposto.

9.6.10

O Mundial - para a mulher.

Eu bem sei que todas vós que possuem namorados/maridos/amantes (quiçá) aficcionados da bola já estão a tremer. E com razão, minhas caras.
Enquanto que o Mundial é uma época festiva, de emoções fortes e bebedeiras maiores, para eles, para nós é apenas uma época de desgaste. E porquê?

Primeiro, eles vão começar a dissertar sobre os jogadores, as selecções, as tácticas, até nos cansarem. Depois vão estar em constante conferência com os amigos aficcionados da bola, marcando frequentes encontros para visualização comum dos jogos, dos resumos, das entrevistas, bem como para a visualização das demais mulheres dos jogadores em conhecidas capas de revistas que caiem no barely legal do decoro.
Em cima de tudo isto, ainda vão pegar em toda e qualquer amizade da bola que fizerem durante este período e fazer-vos investir tempo e dinheiro em minis e amendoins. O comando é deles, não se preocupando com o vosso tempo-de-tv, o sofá é deles, as cervejas são deles e as manchas no sofá de cevadinha também são deles.

Nós? nem vestindo a camisola XXS da selecção lhes tiramos os olhos do ecrã.
Tsssskk.

7.6.10

Bla Bla Bla

Sempre achei curiosa a forma como os casais comunicam, especialmente quando conseguimos perceber claramente em que fase estão, seja no atropelo total de palavras no entusiasmo de querer saber tudo sobre a outra pessoa, seja nos silêncios cheios de significado.

Acho curiosa também a fase da ausência de palavras. De haver mais necessidade de estar, do que falar. O que é diferente de não comunicar. Acho deliciosos aqueles casais de velhinhos em que cada um escolhe um ponto aleatório onde fixar o olhar, cerca de 90º à esquerda da posição do ente querido. Fica-se ali, uma hora, duas, três, uma tarde...Nada. Simultaneamente há uma complacência com o que se tem, um reconhecimento do estatuto de cara-metade, um entendimento tácito que consiste em perceber até que ponto o outro irá ou não querer duas ou três batatas a acompanhar a vitela.

Será que depois de tantas horas a falar, chegamos a um ponto em que precisamos simplesmente de estar calados? E é isso cansaço ou apenas uma outra maneira de estar?

2.6.10

10 muitíssimo boas razões para verbalizar um "Foda-se".

1. A música do despertador (que todos os dias pensamos "amanhã mudo a merda deste toque $%%"/#) de manhã.
2. Entalar um ou mais membros em gavetas/portas/carro. Válido igualmente para dedos mindinhos do pé com especial inclinação para esquinas de camas de madeira.
3. O extracto bancário ao vigésimo dia do mês. (ao menos no último uma pessoa pensa que come uma sopinha e no dia seguinte já recebe - menos mal)
4. O preço daqueles sapatos lindos que encaixam maravilhosamente nos nossos pés de princesinha. (eu agora olho pra a etiqueta antes de experimentar para evitar desgostos desnecessários)
5. Uma carta da Segurança Social. Porque sim, vem sempre lá merda.
6. O flash do radar de velocidade. (E uma grande tentação de mudar de residência e deixar de abrir cartas e...rezar para Nossa Senhora das Prescrições)
7. O buço daquela senhora da pastelaria que arranja tostas mistas. (Muito medinho aqui e desejo profundo de ir a correr ao super comprar uma embalagenzinha de veet assim como quem não quer a coisa)
8. Aquela música que vos irrita solenemente e que passa 1500x's ao dia.
9. Quando o Benfica se lembra de ganhar jogos. (pronto, inserir vossa equipa adversária de eleição)
10. Acabar de vestir umas meias liga e conseguir rasgá-las porque se estava com pressa. (Para vir depois a descobrir que o gato nos lixou todos os outros pares existentes e já não se vai ter tempo de ir comprar umas novas e portanto tem de se mudar a porcaria da indumentária toda).