28.10.09

O Homem-vítima

Se há coisa um bocado irritante são as pessoas que se fazem de vítimas.
E isto torna-se piorzinho quando se trata de algum homem em que estejamos interessadas. (acredito que para os homens as mulheres que se façam de vítimas também sejam um turn-off, mas adiante).

É que por muito giros que sejam, ou muita piadinha que tenham, mulher nenhuma quer chegar ao fim do dia a contar o rol de maleitas que o menino tem: ou é do cu ou é das calças, se não é do pé é da mão, isto para dizer que quem tem cu tem medo e se ele está constipadinho tadinho, ao menos que mantenha a distância de segurança.

Nós aguentamos muita coisa (o mínimo e o insuportável,) a dor de cabeça, dorzinhas nos pés dos saltinhos, TPM, chuva a estragar o cabelo que demorámos imenso tempo a esticar, a doença do pai, a dor da amiga, os problemas do tio, ou a indisposição do cão. A bem dizer, somos um vírus resistente comó raio.
Resumindo, somos umas mimentinhas do pior, mas na hora da verdade suportamos muito.
E suportamos imensamente mais quando se trata de alguém de quem gostamos.

Por isso é que quando, numa base de rotina, nos habituamos a ouvir o mesmo discurso, as mesmas desculpas, as semelhantes indisposições, entramos em modo transe roll-eyes e pensamos: quando é que este tipo se cala?

O problema não és tu sou eu VS Somos os dois adultos e não dá mais

Eu acho alguma piada ao término de relações. Palavra que sim.
Claro que nunca gostei de terminar com ninguém, regra geral foi coisinha para haver um choro sentido e emocionado acompanhado daquele sentimento de vazio e "e agora que deixo este tipo, vai ser difícil encontrar outro que goste assim tanto de mim". Mas há coisas que se nos impõe.

O meu problema regra geral era optar pela vertente "não és tu, sou eu". Tentava ver em mim as causas de eu deixar de gostar, assumia excessivamente todo e qualquer erro que pudesse ter cometido e confesso que de todas as vezes ouvi um "tu és maravilhosa" e coisas da mesma onda. O que me leva a crer que no fundo estavam-me agradecidos de eu não enumerar todas as coisinhas que eles também fizeram mal ou de lhes apontar o dedo.
Detesto despedidas e detesto mais ainda despedidas que acabam mal, por isso era também comum o conhecido "abracinho de despedida" e o "vai ficar tudo bem", "deixa lá isso agora".

Não obstante esta mini análise do meu, e acredito que de muitas pessoas, modus operandi, acredito que a vertente "somos os dois adultos e não dá mais" é a correcta. Porquê? Porque deixemo-nos de coisas, as pessoas erram sempre de parte a parte. Se ficarmos a elogiá-las em tudo o que eram boas e não lhes damos a entender o que fizeram menos bem, é quase certinho que vão cometer os mesmos erros. Ás vezes mais vale ficarmos conhecidas pela "cabra da minha ex" que lhes disse as verdades na cara e lhes permitiu ser um melhor namorado para alguém, do que sermos as eternas "santas do pau oco" que vivem na ilusão estúpida que vão continuar a ser muito amigas do ex.

27.10.09

Hmpft...

Ai, Ai.
É de mim ou sou só eu a ver casalinhos melosos em todo o lado?
Ele é amorzinho praqui, beijinho prali, abracinhos, olhares fofinhos, mão-na-mão, olhos-nos-olhos, segredinhos ao ouvido, borboletinhas esvoaçantes...

Malta, a Primavera ainda vem longe e o meu estado actual de cepticismo inerente não se coaduna com estas demonstrações todas de afecto.
Eu sei que vocês estão-se nas tintas para a minha desgracinha, mas se me virem na rua é coisinha para mudarem de passeio, pode ser? Longe da vista, longe do coração.

26.10.09

Sem filtros

Andamos muito preocupados em mostrar aquilo que somos.
Eu sou isto e blablabla aquilo, não aprecio nada disso e o meu sonho mesmo era ser aqueloutro.

Melhor ainda é quando apresentamos incongruências entre a pessoa que achamos ser e que tão bem conseguimos verbalizar e aquela que estamos a tentar mostrar.
E eu não entendo muito bem essa necessidade de demonstrar o que são. É que depois dá-me a sensação que outros interessam-se por uma sombra do que somos, tirando-lhes todo o prazer de nos conhecer por iniciativa deles. De tropeçar nos nossos defeitos, de se encantarem com os pormenores que nós julgamos ridículos.

Tentamos ser tão perfeitinhos a toda a hora, que perdemos mais tempo a tentar esconder aquilo que gostamos menos em nós dos outros, quando são esses pormenores que nos fazem especiais.

E sim, é um pensamento de início de Segunda pouco light, mas se quiserem rir-se eu hoje percebi o porquê de ser uma pessoa tão mais fixe por gostar de Nestum mel com pouco leite. Sim tenho noção que há casas pior cimentadas, mas não fosse esta minha mania ainda agora estava a limpar a mesa da cozinha. Assim preveniu-se um mini desastre matinal e ficou, mais uma vez, comprovado que sou uma desastrada do pior.

24.10.09

Vou confessar: estou apaixonada ou Se ela pode porque é que eu não?

Eu até sei que vocês gostam muito dela.Eu também a leio. Até já folheei o livro na Fnac, confesso.
Mas se fazem petições para a menina levar uns Louboutins ao casamento, não se esqueçam que eu também sou boa moça!



Vai daí, eu vou confessar a minha paixão assolapada pelo relógio dali de cima.
Como eu já fiz ver que o queria, ao pessoal que comigo convive, a sugestão que me deram foi arranjar um namorado.
Ora, como eu nunca gostei especialmente disso de comprar a namorada com prendas caras, acho mais legítimo que um qualquer leitor meu de posses se chegue à frente.

É coisinha pouca prometo. Não custa nada. Vá, 50 cêntimos entre todos é coisinha para chegar.

Não?

.

..

...

Bem, valeu a pena tentar.

23.10.09

Serviço Público da Cueca

Meus macaquinhos fofos, como sou uma tipa fixe vou lançar aqui uma ideiazinha:


Utilizem este post à vossa vontade para desabafarem o que vos chateia.



A vossa ex namorada anda com um tipo de 1.20m?
Descobriram a vossa namorada na cama com o instrutor do ginásio?
Querem chamar nomes feios ao vosso patrão?
Riscaram o vosso carro no estacionamento?
Mandaram um tralho enorme à frente da rapariga/rapaz que querem impressionar?
Não têm um tusto na conta porque não vos pagam?
Apanharam uma multa?
Querem declarar-se mas não têm coragem?


Quer seja apenas para dizer umas asneirinhas ou desabafar, aqui que ninguém vos "lê", estejam à vontade - mas não à vontadinha!



Isto de ter gente que nos conhece a ler-nos...

é uma boa porcaria!
Sim minhas amélias, eu gosto de vocês todos, mesmo os que têm o desprazer de me conhecer pessoalmente.
Mas é que depois não posso dar largas à minha veia faladora das coisas que por aqui se passam, dentro desta caixinha de arritmia cardíaca.

É como conhecer um tipo giro, com charminho, a quem se acha piada e não poder falar disso.
Ou querer falar mal do chefe, mas nunca se saber se ele não nos aparece por aí "com que eeeeentão, lalalala yadayada".
Ou achar piada falar dos episódios com o Pai Cueca quando ele anda numa demanda para descobrir disfarçadamente (e por disfarçadamente é tentar pôr olho ao meu monitor sempre que pode e depois fazer um ar distraído-tou-nem-aí) qual é o meu blog.

Pfffffff.
Porque depois vêm as perguntas. E há coisas que não são para perguntar, são só para ser o que são: uma distracção da panóplia de coisinhas que nos irritam e entediam na vidinha casa-trabalho que fazemos. E se me apetecer empolar, empolo. E se me apetecer dizer asneiras, digo.

Quero lá saber do meu ar de pastorinha que não parte-um-prato-parte-antes-a-loiça-toda.

Eu queria mesmo era falar destas coisas que se me afligem o coração e....no can do.

15.10.09

Pára, escuta e olha?



O daltonismo das coisas que queremos faz-nos ficar sem saber se havemos de avançar, recuar, ou ir andando com prudência.


Recorrentemente conseguimos experimentar as diversas fases em tempos próprios de indecisões.
Eu que o diga, que era expert em "não sei que diga, não sei que faça".

Há quem esteja já a parar ainda o semáforo só caiu no amarelo. Há quem por golpe de sorte consiga mudar o sinal a verde em cada passagem, assim como há quem esbarre no vermelho recorrentemente.

Parados no trânsito, alguns carregam na embraiagem e deixam a primeira engatada, prontos a acelerar com direito a marca de pneus. Outros há que na indecisão e nervosismo deixam o carro ir abaixo.
Há os que arrancam com cuidado e devagar. Há os que têm pressa de chegar...e o trânsito às vezes é assim: curioso.

Diria eu que o importante é saber andar no amarelo: abrandar quando pressentimos um vermelho, se formos sempre certinhos. Outras vezes arriscando a multa pelo prazer de quebrar regras e permitir-mo-nos à indulgência de saber se conseguimos passar impunes.


(e lá me caiu uma multa em casa à custa da minha indulgência, eu já aprendia não já?)

9.10.09

As pessoas feias também têm sexo?


Let's get it oooooon.


A resposta é SIM. E ainda bem.
Em conversa com determinada figura da nossa praça eu coloquei esta questão, ao que obtive como resposta que valha-nos ao menos o Amor, porque é a melhor coisinha para nos juntar uns aos outros, pequeninhos e grandes, gordos e magros, novos e velhos, inssossos e picantes, submissos e dominadores, aborrecidos e espalhafatosos e por aí adiante.

Outra coisa que influencia aqui, a meu ver, é a atitude. Uma pessoa confiante tem sempre pelo menos uma mais-valia de transparecer saber o que quer. E isso é sempre agradável.

Claro que existe muita gente que eu não quereria ter a imagem mental delas no acto, mas que façam entre 4 paredes o que bem lhes apetecer, com mais ou menos taras, eu não preciso (nem quero) saber.
Mal por mal as pessoas que têm sexo andam mais bem-dispostas, mais confiantes, com melhor pele, mais felizes, menos sozinhas, menos cabisbaixas e a minha parte de "pessoa humana" agradece. O mundo já anda mau o suficiente para, ainda por cima, não se ter sexo.

O último ponto interessante da questão é que todos nós vamos decair, degradar, ficar menos atraentes, por isso é bom que tenhamos alguém que, ainda assim, quer-nos a nós, que mostre que ainda temos aquela pica - é que para papas e descanso temos muito tempo.
Não acredito em finais felizes, mas ao menos podemos aproveitar a viagem.

6.10.09

Os "manos" - essa míriade relacional masculina.

Existe todo um código de conduta que me ultrapassa em entendimento, relativo aos gajos e o seu grupinho íntimo de amigos.
Nada contra a bela amizade. Faz-se um esforço por entender os arrotos em conjunto, o visionamento de jogos de futebol de amendoim na mão ou as boquinhas às gajas giras que passam.
Isso entende-se tudo - haja capacidade de compreensão e boa-vontade.

Agora, a parvoeira comum - e que consideram tão necessária - deixam-me com a sensação de qualquer coisa semelhante ao sentimento que putos estúpidos presos na acefalia dos sweet 13 me provocam.
Ou pelo menos com a sensação que eles nunca crescem.

Por exemplo, o que é isso de qualquer coisa, por mais estúpida que seja, ser ok se alguém do grupinho a fizer?
É a velha máxima do "se me atirar de um poço, também vais" e que eu associo a meninos com o Q.I do Mr T.

Depois, é os segredinhos, as privates jokes todas elas muito sui generis e que fazem qualquer um sentir-se num universo alternativo que dá dó. Eu sei que prezam muito os vossos segredinhos, mas mandarem dicas para o ar subreptícias, à espera que só os amigos percebam, é, no mínimo, inferiorizar o intelecto da plateia e, regra geral, algo não muito inteligente.

2.10.09

O amor, a massa e o "és óptimo"

Pois é, diz que ontem fui jantar fora. Não desdenhando da companhia, posso dizer que neste jantar quase que chorei - estive uma ou duas vezes prestes a fazê-lo, exigindo o melhor de mim para me conter.
Sentei-me e a ideia de que nunca tinha ficado entre dois "casais" tão estranhos na minha vida assomou-se-me.

Na mesa Nº 1
Dois homens estrangeiros, falavam em inglês. Quando falavam. Não os vi trocar mais de 2 ou 3 frases durante todo o jantar - não porque passassem a vibe de estarem zangadinhos, simplesmente havia ali muita tensão acumulada e os olhares constantes um no outro e para o vazio eram algo perturbadores.
De salvaguardar a bela linguagem corporal - ambos impávidos e serenos, um com a sua pizza de rúcula, ou com a sua de espinafres, estavam sentados muito sérios, o da direita com a mão no queixo a olhar para a esquerda, o da esquerda com a mão no queixo a olhar para a direita. Imóveis. Calados. Senti-me no melhor espetáculo de teatro contemporâneo e sem pagar bilhete.

Na mesa Nº 2
Um casal de metaleiros. Ele gadelhudo que só visto com um cabelo maior que o o meu, barba de alguns meses alimentada a piolhinhos e olhinhos de carneiro perdidos no vazio, ela branquinha, ruiva, com olhos de bicho atropelado à 2 dias já em rigor mortis.
Mal me sentei fui logo invadida nos tímpanos por um "és óptimo, amor!". - mau, pensei eu, queres ver?.
Tentava concentrar-me na lista de pedidos, mas era infrutífero dado o nível de diálogos que se estavam ali a manter, tais como:

(ele completamente alheio do mundo e desinteressado)
ela: amor (sim porque em todas as frases tinha de haver um "amor" pelo meio, esta noite é só nossa. Hoje dormes comigo e vamos ter a NOSSA noite. Amanhã acordamos juntinhos e vamos passar o DIA juntinhos e depois podes conhecer toda a gente e os meus amigos - vais adorá-los, ainda que seja demasiado cedo para nós!! (tudo muito sentido, muito lá do fundo do coração)
ele: epá, devia ter trazido um bloquinho para anotar esses planos todos.
(ela devia ter percebido a dica, mas não)

Ela insistia em puxar ao diálogo, fofinho para aqui, fofinho para ali, nem falando no olhos-nos-olhos e nas mãozinhas dadas durante TODA a refeição. Até que demonstra o ex-libris dos relacionamentos: a importância da comunicação.

ela: o XXX fornicou (já ninguém diz fornicar mas pronto) com a YYY, acreditas?! O que é que tu pensas sobre isso?
ela: (não o deixando falar) pois é que sabes, ele tem namorada e não há nada pior que uma mulher cornuda que não sabe!
(neste momento eu pensei, não filha, não há nada pior que uma mulher cornuda - novamente ninguém diz cornuda - que sabe!)

Entre fornicanços e traições, lá ela falou no dia em que apanhou o tal amigo, segundo ela, no quarto nu e com a cama quente - facto que serviu de base ao pressuposto que ele tinha traído a namorada com uma gaja que ela viu depois na estação de autocarro.
É só de mim, mas como é que ela sabia que ele estava integralmente nu? E que a cama estava quente?
...

Entre outras pérolas imensas que me permitiram passar um jantar inteiro a trincar a língua para não me rir sonoramente, bem como potenciou a minha imitação - aquém devo dizer - daquele casalinho metaleiro e ternurento.
Fofinhos, onde quer que estejam, aposto que tiveram uma noite melhor que a minha.
Bem haja!

1.10.09

Self-Empowerment

E o que é essa coisa gira do empowerment?
Basicamente é conferir poder de decisão a outrém. É ter o poder de mudança nas mãos e saber quando e como delegá-lo.
Assim, self-empowerment é basicamente uma expressão que designa que está na hora de deixares aquele estado de graça a um passinho de estavas-bem-era-a-ler-livros-de-auto-ajuda-que-nunca-vais-comprar-na-Fnac, porque estás ligeiramente comidinho do cérebro.

Se o Empowerment se baseia em 4 pressupostos-base:
  1. Poder
  2. Motivação
  3. Desenvolvimento
  4. Liderança
...que culminam basicamente num ciclo que envolve: deixar as pessoas ter poder, motivá-las a exercer esse poder, dar-lhes os recursos para o fazer e a oportunidade de liderar com base nas decisões tomadas. Então o Self-Empowerment é uma maneira simpática de dizermos a nós mesmos: Desenmerda-te e faz pela vidinha.

Não sei porque as pessoas tendem a complicar o que é simples. Todos temos a capacidade de sermos melhores, a partir do momento em que deixamos de esperar que sejam os outros a dar-nos isso para as mãos.
Caríssimos, ninguém vos vai dar o que querem de bandeja, mesmo que o fizessem, vocês nem iriam saber o que fazer e provavelmente iriam falhar redondamente - e isso é o único motivo para alguém vos dar essa trela toda, que é ver-vos falhar.

Se estão mal, mudem, se acham que não têm as capacidades que queriam, procurem construí-las, se estão subaproveitados peguem nas malinhas e façam-se à estrada. Tudo com os pézinhos no chão, que isto de largar tudo só porque sim não é compatível com aquela coisa chamada contas do gás, luz, renda, vícios.

Neste mundo de cão, tem de se ser gato, capisce?
Pronto, hoje é modo tough love.

*acho que quando acordo bem disposta fico um bocado mandona e com mau feitio.